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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

PERDI A MINHA VELHINHA, Uma velha de António Oliveira



PERDI A MINHA VELHINHA

Se vires por aí uma velhinha
Abandonada e sozinha
Dá-lhe por mim um abraço

Porque eu já perdi a minha
Que era tudo quanto eu tinha
Por isso esta velhinha faço

Faço só para me lembrar dela
Porque eu dela sinto saudades
Sei que existe muitas iguais a ela
Mas não com as mesmas qualidades

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Uma Velha da Ilha Terceira com o título As velhas Perdi a Minha Velhinha por
António Oliveira a quem muito agradecemos

terça-feira, 26 de março de 2013

A VELHINHA BENFEITORA, uma Velha de António Oliveira


A VELHINHA BENFEITORA

Havia uma certa velhinha
Pobre dela que coitadinha
Já mal se podia arrastar
Mas carregava uma viola
E também uma sacola
Para esmola ir tirar.

Em cada porta que batia
Ela se punha a cantar
E as pessoas ela dizia
Esmola eu venho tirar.

Ela tocava uma melodia
Que transmitia alegria
Que não havia nada igual
Quem aquela velhinha via
Logo para consigo dizia
La vem a fulana de Tal.

Tudo corria para a ver
Pois gostavam do seu cantar
Porque o que ela ia dizer
Fazia as pessoas chorar.

Não podiam compreender
Como ela podia alegria ter
Vivendo assim tao mal
Mas isso era o seu segredo
Não  sendo mulher de enredo
Todos lhe abriam o portal.

Todos gostavam de a ouvir
E até chegou a ganhar fama
Mas como velhinha de pedir
Ninguém a queria na sua cama.

Em cada porta que batia
Ela um novo verso fazia
Para não ser repetitiva
Despertava o interesse
E fazia que alguém desse
Mesmo de uma maneira altiva.

A velhinha não se importava
O importante é que alguém desse
E a velhinha mais gostava
Se dessem e ninguém soubesse.

Na sua linda introdução
Tentava alcançar o coração
Mexendo com as emoções
Pois ela muito bem sabia
Que um pouco de alegria
Motivava os corações.

Muitos sorrindo lhe diziam
Não tenho nada para te dar
Mas era só porque queriam
Que ela continuasse a cantar.

Alguns mesmo sem quererem
Perguntavam a outros para verem
Se tinham algo para lhe dar
Que com toda aquela alegria
Que a velhinha lhes transmitia
Que até a alguns fazia chorar.

Alguns davam alguma coisinha
Só pelos versos que ela fazia
Pois aquela pobre velhinha
Uma esmola bem merecia.

Esta velhinha afamada
Daquilo que pedia ela dava
A outros pobres que ela via
Ela não precisava de nada
Mas como nenhum pobre cantava
Ela cantando para eles pedia.

Isto é que é uma velhinha
Isto é o que eu chamo uma mulher
Se vontade de a ajudar eu tinha
Mais vontade agora vou ter.


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Uma Velha da Ilha Terceira com o título A Velhinha Benfeitora enviada por
António Oliveira a quem muito agradecemos

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O AMOR DOS VELHINHOS, Uma Velha de António Oliveira

O Amor dos Velhinhos As velhas da Ilha Terceira António Oliveira
Um velhinho certo dia
Passou por uma freguesia
Viu uma velhinha sentada.

Aproximou-se sorridente
Mas como não tinha nenhum dente
Mantinha a boca fechada.

Voltou-se para ela e disse
Bom dia minha princesa
A velhinha olhou para ele e riu-se
Pois a saudação causou-lhe surpresa.

Porque na sua idade avançada
Tinha visto tanta gente malcriada
Agora estava desiludida.

Nunca lhe passou pela mente
Que naquele exato momento
Alguém lhe ia mudar a vida.

O velhinho com cuidado
Da velhinha se aproximou
E de um modo delicado
Ao lado dela se sentou.

A velhinha ficou mais surpresa
Mas por causa da delicadeza
Ela não se importou.

Pois estava abismada
Com aquela maneira educada
Como o velhinho a saudou.

Pois ela não estava acostumada
A ser saudada desta maneira
Por isso estava interessada
Em conhecer o velhinho a sua beira.

Ela tinha o pressentimento
Que este velhinho inteligente
Não lhe era desconhecido.

Tentou ver se se recordava
E voltas à cabeça dava
Sem saber qual o motivo.

Ao lado daquele velhinho que ali estava
Ela se sentia muito bem
Como ao lado de alguém que ela amava
Embora não soubesse quem.

O velhinho na sua persistência
Disse-lhe, princesa tem paciência
Mas responde-me a uma pergunta.

Conheces aqui uma senhora
Que tenho na minha memoria
Não sei se é viva ou defunta.

Só sei que ela era muito linda
Quando eu daqui partiu
E orei para que na minha vinda
Ela ainda se encontre aqui.

A velhinha teve um calafrio
E dentro de si sentiu
Ao mesmo tempo um calor.

Será que estava enganada
Mas, mas senão, ao lado dela estava
O seu primeiro e único amor.

A velhinha lhe perguntou com tremor
De maneira que até suava
Diga-me la meu senhor
Como era que ela se chamava.

O velhinho com ironia
Disse-lhe que ela era Maria
Filha de Fulano de Tal.

Ela tinha uma formosura
Um olhar sereno e uma brandura
Não havia outra igual.

E eu pediu a Deus um favor
E este favor espero ter
De voltar a ver o meu amor
Antes do dia de morrer.

A velhinha com nó na garganta
Subitamente se levanta
E perguntou com destemor.

O senhor veio aqui a freguesia
A procura dessa Maria
Mas afinal quem é o senhor?

Eu te tenho estado a observar
Louvado seja o Senhor
Será que eu estou a falar
Com o meu querido amor?

Eu sou o Manuel Beltrano
Que é filho do Sicrano
Que aqui também viveu.

Essa informação me pediste
Mas esse homem já não existe
Pois esse homem já morreu.

Tantos anos levei uma lida
Para muito dinheiro poder ganhar
Mas o mais importante da minha vida
É o meu amor encontrar.

A velhinha mais animada
Mas muito emocionada
Não sabia o que dizer.

Olhando para ele ela riu-se
Depois ela lhe disse
Bem me queria parecer.

Um velhinho tão delicado
Não se encontra todos os dias
É diferente do velho malcriado
Que é usado nas cantorias.

Quando tu me destes bom dia
Meu coração começou a palpitar
Sentiu tao grande alegria.

E vontade de te abraçar
Mas como não te conhecia
Não queria vergonha passar.

Eu é que sou a tal Maria
A filha do Fulano de Tal
O meu Deus que alegria
Acabou-se todo o meu mal.

Vejam só que sorte a minha
Vejam só que feliz momento
Tantos anos vivi sozinha.

Agora nos encontra-mos de repente
Agora que já sou velhinha
Sou feliz finalmente.


Uma Velha da Ilha Terceira com o título O Amor dos Velhinhos enviada por
António Oliveira a quem muito agradecemos

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Preciosa Velhinha de António Oliveira, As Velhas da Ilha Terceira

Cantiga Preciosa Velhinha. As Velhas da Ilha Terceira
Ó minha querida velhinha
Embora não sejas mãe minha
Eu te trato por minha senhora.
Porque embora envelhecida
Honra te é atribuída
Pelo que fizestes até agora.

Do teu labor não te arrependas
Mesmo quando fizestes emendas
De alguns erros na tua vida.
Porque por causa da imperfeição
É possível que fizestes alguma ação
Que agora estás arrependida.

Mas os erros do passado
É remédio abençoado
Para quem com eles aprende.
O pior é que há brincadeiras
Onde se diz tantas asneiras
E a pessoa não se arrepende.

Mas aquele que goza de ti
E ainda por cima se ri
Eu lhe dou o meu conselho.
Deixa lá a velhinha em paz
Não imites a satanás
Que é o diabo mais velho.

Uma Velha da Ilha Terceira com o título Preciosa Velhinha enviada por
António Oliveira a quem muito agradecemos